Santa Maria e São Miguel são dois núcleos urbanos de Sintra que correspondem aos dois primitivos pontos de fixação dos cristãos após a reconquista. Hoje reunidos numa só freguesia, tem origem remota numa pequena ermida, mandada construir por D. Afonso Henriques, logo após ter tomado posse do Castelo dos Mouros, em 1147.

Passou a ser um modesto lugar, habitado por pouca gente o que levou o nosso primeiro Rei a tomar medidas de incentivo à vinda e à fixação de outros moradores. Foi para radicar aqui novas famílias de colonos que assinou uma Carta de Foral, no ano de 1154.

Sabe-se que 100 anos depois desta fundação, um dos priores de Santa Maria já achou a ermida demasiado escassa, tendo mandado erguer um outro templo “de grande fábrica e de notáveis primores arquitectónicos”.

Tão boa fábrica tinha que durou até ao século XVIII e só o terramoto a deitou por terra. Em apenas um século, os moradores já tinha igreja nova e até uma rica Colegiada. Com o tempo, a paróquia passou para a gestão da Casa das Rainhas, até ser doada à Ordem de Cristo por D. Afonso V. A pouca distância ficava uma outra igreja, também muito antiga e dedicada a São Miguel. Delas restam ainda alguns vestígios integrados na casa que serve agora de sede aos serviços florestais. Depois do terramoto de 1755, São Miguel passou a andar ligado a Santa Maria.

Quanto à Igreja de Santa Maria, reconstruída após o terramoto e já restaurada, é um monumento nacional integrado na Vila de Sintra e na área classificada como Património da Humanidade.

A Freguesia engloba os bairros da Estefânea, da Portela, Monte-Santos e Lourel, bem como as povoações rurais de Cabriz, Ral e Campo Raso.

A Estefânea é o centro urbano da freguesia, mas também foi uma zona essencialmente rural até finais do século XIX. Com o advento das comunicações ferroviárias de ligação a Lisboa, no reinado de D. Luís, iniciou-se um processo de alastramento urbano que associava a função residência à instalação de serviços publico e privados, à implantação do comércio e de actividades socioculturais e desportivas. Emergiu assim, como núcleo urbano periférico ao centro histórico propriamente dito.

Quanto à Portela, também inicialmente ocupada por espaços rurais, só a partir dos anos 30 e 40 iniciou a passagem a zona residencial, sendo atualmente uma área preferencial para a instalação de serviços.

Ainda em relação ao Património, são muitos os motivos de interesse e a visitar, como é o caso da já falada Igreja de Santa Maria, monumento nacional; os Paços do Concelho do Arquitecto Adães Bermudes; algumas Quintas de Lazer como são o caso da Quinta dos Lagos ou a Quinta dos Ribafrias; o antigo Casino de Sintra, agora o Sintra-Museu de Arte Moderna; o Centro Cultural Olga do Cadaval; a Casa de Teatro de Sintra; a antiga Casa Mantero, agora Biblioteca Municipal de Sintra; a antiga Prisão de Sintra.

São Pedro de Sintra ou São Pedro de Penaferrim, vem designado em escritos antigos como São Pedro de Calaferrim, mais tarde São Pedro de Canaferrim e nos dias de hoje é designado por São Pedro de Penaferrim. No entanto a origem e evolução destas designaçães é baseada em hipóteses.

Segundo João Martins da Silva Marques (Sintra – Estudos Históricos LVI), Calaferrim ocorre no século XIV, enquanto Canaferrim surge em 1948, com Almeida Jordão. Segundo José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, as designações atrás mencionadas poderão provir de origem árabica: “qala’â” – povoação situada em planalto ou rochedo escarpado e “de ferrinu” – em alusão à natureza dos terrenos ou de águas da localidade. A última passagem de Canaferrim a Penaferrim dever-se-ia à influência de Pena, nome bem conhecido na região. “Pena” deriva do latim “penna”, variante de “pinna”, “penha que significa rocha, rochedo, penhasco. Existem muitos nomes derivados desta designação como Penafirma, Penacova, Penalva, Penedo e… também, Penaferrim.

À Freguesia de São Pedro estão adjacentes diversos espaços históricos, naturais ou arquitetónicos: o parque da Pena, com aspetos únicos em riqueza natural e arquitetónica – a sua vegetação única e exemplar onde está plantado o romântico palácio oitocentista, com cerca de quinhentos metros de altitude; a Capela de São Lázaro, construída pela rainha D.Leonor, nos finais do século XV; a Capela de Santa Eufémia, local onde se realizam os festejos do 1.º de Maio; a Lagoa Azul; as suas diversas quintas (Quinta do Ramalhão; Quinta da Penha Verde; Quinta D. Dinis; Quinta da Fonte; Quinta da Penha Longa…), não esquecendo a inigualável Igreja Paroquial de São Pedro.